Violência contra a mulher cresce no Brasil e expõe desigualdades estruturais
Um boletim especial divulgado pelo DIEESE alerta para o agravamento da violência contra as mulheres no Brasil, destacando que o problema está profundamente ligado às desigualdades sociais, raciais e econômicas do país. 
De acordo com o documento, o número de feminicídios vem crescendo de forma contínua na última década. Em 2025, foram registrados 1.548 casos média de quatro mulheres assassinadas por dia, um aumento de 190% em relação a dez anos antes. A maioria das vítimas é composta por mulheres negras, mortas principalmente dentro de casa e, em grande parte, por companheiros ou ex-companheiros. 
O boletim também aponta que a violência vai além dos casos extremos. Pesquisa nacional indica que 27% das mulheres brasileiras já sofreram violência doméstica ou familiar. Além disso, o problema atinge outros espaços: em 2025, mais de 155 mil denúncias foram registradas pelo canal 180, incluindo ocorrências no ambiente de trabalho. 
No mercado de trabalho, a desigualdade de gênero aparece como um dos fatores que dificultam o rompimento do ciclo de violência. Apesar da melhora recente nos indicadores de emprego, as mulheres continuam enfrentando maiores taxas de desemprego, salários menores e menor presença em cargos de liderança. Em 2025, elas receberam, em média, 21% a menos que os homens. 
Outro dado relevante mostra que cerca de um terço das mulheres fora do mercado de trabalho está nessa condição devido à sobrecarga com tarefas domésticas e cuidados familiares, evidenciando a persistência da divisão desigual de responsabilidades. 
O DIEESE destaca que, embora haja avanços legais como a Lei Maria da Penha e o endurecimento das penas para feminicídio, as medidas ainda são insuficientes para conter o problema. O enfrentamento da violência contra a mulher, segundo o boletim, exige mudanças estruturais, políticas públicas consistentes e ações coletivas que combatam as raízes da desigualdade de gênero na sociedade.
