Centrais sindicais lançam pauta unificada da classe trabalhadora para 2026–2030

Documento apresentado na CONCLAT propõe redução da jornada, valorização do salário mínimo e regulação do trabalho por aplicativos

As principais centrais sindicais do Brasil lançaram, no último dia 15 de abril, em Brasília, a nova Pauta da Classe Trabalhadora 2026–2030, durante a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (CONCLAT). O documento reúne um conjunto amplo de propostas voltadas à geração de empregos, ampliação de direitos, fortalecimento da democracia e promoção de um modelo de desenvolvimento com justiça social. 

A iniciativa ocorre em um contexto de profundas transformações no mundo do trabalho, marcadas pelo avanço tecnológico, pela crise climática e pela reconfiguração da economia global. Segundo o texto, essas mudanças têm impactado diretamente o emprego, ampliando a precarização e exigindo novas formas de proteção social. 

Prioridades imediatas: jornada menor e mais direitos

Entre as principais bandeiras apresentadas para 2026, destacam-se:
• Redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salários, com o fim da escala 6×1
• Geração de empregos decentes, com foco em inovação, industrialização e valorização das pequenas e médias empresas
• Valorização do salário mínimo, com meta de atingir 60% do salário médio nacional
• Regulamentação do trabalho por aplicativos, garantindo direitos trabalhistas e previdenciários
• Combate à pejotização e fraudes trabalhistas
• Fortalecimento das negociações coletivas e dos sindicatos

O documento também enfatiza a necessidade de reduzir as taxas de juros e reorientar a política econômica para estimular o emprego e o investimento produtivo. 

Desenvolvimento com justiça social

A pauta propõe um modelo de desenvolvimento baseado na reindustrialização, inovação tecnológica e sustentabilidade ambiental. Entre as medidas estruturais estão:
• Ampliação de investimentos públicos em infraestrutura e ciência
• Fortalecimento da agricultura familiar e da economia solidária
• Proteção da produção nacional frente à concorrência internacional
• Integração com países da América Latina e cooperação Sul-Sul

Além disso, o documento defende uma reforma tributária mais justa, com maior taxação sobre os mais ricos e combate às desigualdades sociais. 

Direitos sociais e combate às desigualdades

A pauta também dedica um eixo importante à promoção da igualdade e dos direitos humanos. Entre as propostas estão:
• Combate ao feminicídio e à violência de gênero
• Igualdade salarial entre homens e mulheres
• Inclusão produtiva de jovens, população negra e grupos vulneráveis
• Ampliação de creches e políticas de cuidado
• Combate ao trabalho infantil e ao trabalho análogo à escravidão

No campo social, o documento defende ainda o fortalecimento do SUS, a ampliação do acesso à moradia e a implementação da tarifa zero no transporte público. 

Contexto: reconstrução e desafios

As centrais sindicais reconhecem avanços recentes, como a retomada da valorização do salário mínimo, a redução do desemprego e a ampliação de programas sociais. No entanto, apontam que persistem desafios estruturais, como a informalidade, a alta rotatividade e o endividamento das famílias. 

O documento também destaca que o período entre 2026 e 2030 será decisivo para consolidar um novo projeto de desenvolvimento nacional, com foco na geração de empregos de qualidade e na redução das desigualdades.

Chamado à mobilização

A Pauta da Classe Trabalhadora 2026–2030 é apresentada como um chamado à unidade e à mobilização social. O objetivo é influenciar o debate público e orientar políticas governamentais nos próximos anos.

As centrais sindicais reforçam que a construção desse projeto depende da participação ativa da sociedade e da organização coletiva dos trabalhadores.

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