TIM discute com a Federação LiVRE implantação da escala 5×2 para trabalhadores de lojas e call centers

Operadora pretende reduzir jornada de 44 para 40 horas semanais sem alteração de salários e benefícios

A TIM deu um passo importante no debate sobre a modernização das relações de trabalho ao anunciar que iniciará discussões com a Federação LiVRE e seus sindicatos filiados para implantar a escala 5×2 para trabalhadores e trabalhadoras das lojas e do setor de teleatendimento (call center). A medida prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução de salários ou benefícios.

O anúncio foi feito na tarde da última terça-feira (16), durante reunião da Comissão de Negociação do Acordo Coletivo de Trabalho da Federação LiVRE. Segundo o gerente de Relações Trabalhistas da TIM, José Luiz Fróes, a proposta representa um avanço na política de gestão de pessoas da empresa e estabelece a jornada de 40 horas semanais para todos os empregados da operadora.

A iniciativa ocorre mesmo antes da conclusão da tramitação no Senado Federal da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 com redução da jornada de trabalho. Com isso, a TIM se antecipa ao debate nacional e pretende incorporar a nova jornada ao Acordo Coletivo de Trabalho que será negociado na data-base de setembro.

De acordo com a empresa, a mudança está alinhada à política de promoção de um ambiente de trabalho mais saudável, valorizando o descanso, a convivência familiar e a qualidade de vida dos trabalhadores, sem comprometer a produtividade, o alcance de metas e a qualidade dos serviços prestados aos consumidores.

Antes da implementação definitiva, a TIM realizará uma etapa de testes e simulações para avaliar os impactos operacionais da nova jornada. O projeto-piloto será desenvolvido nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Nos call centers localizados no Rio de Janeiro e em São Paulo, a escala 5×2 já é adotada pelos trabalhadores que atuam nas áreas de suporte (BackOffice).

A operadora avalia atualmente os impactos estruturais da mudança para ampliar o modelo às suas 165 lojas em todo o país, abrangendo cerca de 2.100 trabalhadores, além de aproximadamente 570 empregados dos dois centros de atendimento.

Pioneirismo também no debate sobre Inteligência Artificial

O presidente da Federação LiVRE, Luis Antônio Souza da Silva, destacou o caráter inovador da TIM ao abrir diálogo com as representações sindicais sobre as transformações no mundo do trabalho.

Ele lembrou que a operadora já havia sido pioneira ao incluir, no Acordo Coletivo firmado no ano passado, cláusulas específicas relacionadas ao uso da Inteligência Artificial (IA). Entre os pontos acordados estão o compromisso de que a tecnologia não será utilizada para substituir trabalhadores e a garantia de qualificação profissional antes da implantação de qualquer ferramenta baseada em IA.

“É fundamental que as mudanças tecnológicas sejam acompanhadas de diálogo social e proteção aos trabalhadores. A experiência construída com a TIM mostra que é possível conciliar inovação, produtividade e valorização profissional”, afirmou.

Luis Antônio informou ainda que participará, em agosto, de uma reunião da UNI Américas, entidade que reúne sindicatos do setor de telecomunicações de diversos países do continente. Na ocasião, apresentará a experiência brasileira e o primeiro Acordo Coletivo de Trabalho do segmento de telecomunicações no país com cláusulas específicas sobre Inteligência Artificial.

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